Grupo Lágrimas quer construir hotel SPA subterrâneo
O Grupo Lágrimas está a negociar com a CUF - Químicos Industriais - a construção do hotel e SPA subterrâneo mais profundo do mundo na Mina de Sal-Gema de Loulé.
Segundo o presidente do grupo promotor, Miguel Júdice, os 38 quilómetros de galerias escavadas a 230 metros de profundidade - o equivalente a 75 andares -, num maciço de sal-gema com cerca 16 quilómetros de diâmetro, oferecem “todas as condições” para aí construir um hotel.
“Tem todas as condições, não só porque é um espaço diferente, como permite conceber um hotel temático como não existe no mundo”, disse Miguel Júdice à Lusa.
O investimento deverá rondar os 10 milhões de euros e prevê que a unidade hoteleira tenha entre 26 e 40 quartos, além de um SPA com tratamentos à base da sal-gema.
Segundo Pedro Salinas, director da CUF, “existe já um grande número de visitantes, que procuram actualmente a mina devido às propriedades benéficas do seu ar”. São especialmente pessoas com doenças respiratórias.
Para comprovar as propriedades terapêuticas, Miguel Júdice chegou mesmo a recolher uma amostra do sal da mina “para testar tratamentos de SPA e o seu eventual uso na gastronomia”.
Segundo os responsáveis da CUF, o Grupo Lágrimas é, para já, o mais interessado na concessão hoteleira, embora outras cadeias estejam também na corrida.
O hotel insere-se na estratégia de viabilização do complexo mineiro através do Turismo, que inclui ainda a criação de um museu industrial e um arquivo documental “de altíssima segurança”, tudo debaixo de terra.
Pedro Salinas adiantou que, para a concretização do segundo projecto, “estão no bom caminho” as negociações com a empresa norte-americana Underground Vaults & Storage, Inc., que acredita poder oferecer aqui serviços de arquivo a preços 10 vezes mais baixos do que num edifício convencional.
“A 230 metros não existe humidade, a temperatura é constante, a sismicidade praticamente não é sentida, não há insectos e a segurança é muito elevada”, fez notar, sublinhando as poupanças de energia que tais condições naturais permitem.
No projecto participa também a Câmara Municipal de Loulé que assinou hoje um protocolo com a CUF para a viabilização da vertente turística.
A autarquia, juntamente com o Grupo detido por João de Mello, vai investir quase oito milhões de euros na requalificação do espaço à superfície e na criação de um centro interpretativo.
A Mina de Sal-Gema de Loulé opera há 40 anos, tendo produzido cerca de 100 mil toneladas de sal por ano até 2005, altura em que a CUF centrou a produção na Figueira da Foz.
Hoje, a mina produz entre 10 e 40 mil toneladas anuais, a maior parte destinada às operações de degelo nas estradas da Europa e à indústria de rações para animais.
A autarquia e a CUF esperam estar em condições de candidatar o arrojado projecto ao financiamento comunitários, “uma vez que se trata de uma área de baixa densidade”, sublinhou Seruca Emídeo, presidente da Câmara de Loulé.
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