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Arrendamento Residencial – Solução ou Opção?

Semana após semana recebo contactos de pessoas que me colocam a mesma questão: “É melhor comprar ou arrendar?”

Quando começo a enumerar as vantagens e desvantagens de cada uma das opções, acabo invariavelmente por ser interrompido com outra questão ainda mais pragmática.”…Está bem, mas por exemplo, hoje em dia é mais caro comprar um T1 ou arrendá-lo?” Então volto atrás e recomeço por explicar que não existe uma resposta objectiva para esta pergunta.

Podemos, de forma simplista e utilizando o mesmo imóvel, comparar o valor da renda a pagar a um senhorio ao do valor da prestação ao banco, adicionando-lhe uma estimativa de todos os custos de manutenção e propriedade durante um determinado período de tempo.

Infelizmente, este raciocínio é altamente falível porque nem sempre cobre todas as variáveis fundamentais, tais como o potencial de valorização do imóvel adquirido, o tipo de variações nas taxas de juro que se podem registar ao longo de um empréstimo ou mesmo os custos de manutenção da fracção.

Por outro lado, no caso do arrendamento também não é garantido que as renovações do contrato se mantenham e, se for esse o caso, por que valor.

Assim, a resposta a esta questão reside mais na oportunidade e necessidade do que forçosamente numa simples equação matemática.

Numa altura de grande incerteza, em que os preços das casas e o valor das prestações registam grande instabilidade, tenho a convicção de que existem boas oportunidades de compra para os investidores e/ou utilizadores habituados a navegar em mar aberto. Para marinheiros que enjoam, o arrendamento é, nesta fase, bastante mais recomendável, até porque não se trata de uma opção irreversível.

As verdadeiras vantagens do arrendamento escondem-se por trás de factores como o da ausência de custos de manutenção e propriedade, flexibilidade total para alterar as condições ou localização da habitação e, porque não, uma melhor relação de preço/qualidade entre o fogo e o custo mensal.

Sendo certo que, para quem procura casa principalmente sem ter outra para vender, este é também o momento certo para comprar. Mas, porque a valorização generalizada da habitação em Portugal já não é hoje uma certeza,, recomenda-se neste momento o arrendamento para quem procura a sua primeira solução de habitação, tem dúvidas sobre a sua permanência em determinado espaço geográfico ou pretenda a curto/médio prazo fazer crescer a sua família.

Os principais problemas com o arrendamento prendem-se com a qualidade e disponibilidade da oferta dos imóveis para este fim. Efectivamente, à actual legislação que insiste em não contemplar mecanismos eficazes contra o incumprimento, junta-se um regime fiscal que, castigando de tal forma a rentabilidade do arrendamento residencial, anula por completo qualquer interesse por parte dos promotores ou proprietários.

Ricardo Roquette

Director do departamento residencial da Cushman & Wakefield

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