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2008 reitera o dinamismo iniciado no ano passado

Apesar do clima económico menos positivo e da diminuição da confiança empresarial por todo o território europeu, a procura de escritórios no mercado de Lisboa mantém-se forte, não tendo sido atingida pela crise que já se faz sentir em países vizinhos.

Com o fim de 2008 a aproximar-se, chegou a hora de pensar no que o novo ano irá trazer e sobre o que podemos esperar. Em traços gerais, em 2009 a oferta deverá sofrer um decréscimo de cerca de 33% face aos valores de 2008, caso se confirmem todos os projectos previstos e não se verifique o lançamento de projectos não anunciados até agora.

Uma das zonas que demonstra a maior falta de projectos novos é a Zona Prime (Zona 1), onde a taxa de disponibilidade estará sob pressão nos próximos tempos. No entanto, a procura nesta zona continuará elevada e a modernização e adaptação de espaços usados será uma tendência que fará face à falta de projectos em promoção.

De salientar, que a Zona Prime é a única no mercado de escritórios lisboeta que não tem previsto nenhum projecto novo nos próximos dois anos, pelo que uma das grandes apostas passará pela reabilitação de edifícios para uso de escritórios que possam responder à elevada procura e que possam reunir todas as condições para acolher sedes de grandes empresas nacionais ou internacionais, a exemplo do que sucedeu com as sedes do Barclays e da Generali.

A falta de promoção de novos projectos em contraponto com a forte procura que o mercado tem registado, provocou uma descida da taxa de disponibilidade não apenas na Zona Prime mas também na generalidade das zonas do mercado de escritórios de Lisboa, sendo que as descidas mais notórias ocorreram na zona do Parque das Nações e na zona Nova de Escritórios.

As zonas do Corredor Oeste e CBD foram as que receberam um maior acréscimo de oferta. Para a zona CBD, este aumento tem uma importância significativa, uma vez que é uma zona com uma grande procura de espaços, dotada de uma excelente rede de serviços e transportes e onde estão localizadas empresas de prestígio.

Entre 2008 e 2009 a oferta de novos edifícios de escritórios em Lisboa soma cerca de 188.664 m². Contudo, cerca de metade desta nova oferta futura já se encontra pré-arrendada. É o caso dos 65.000 m2 do Office Park Expo e dos 15.000 m2 do edifício que irá ser ocupado pela Agência Europeia de Segurança Marítima situado no Cais do Sodré. No próximo ano, a oferta nova estará muito concentrada na Zona 3 com a conclusão da primeira torre do projecto Torres Colombo, seguida da zona do Corredor Oeste e da zona do Parque das Nações.

No lado da procura, o Corredor Oeste, a zona secundária de escritórios e o Parque das Nações foram as zonas mais procuradas ao longo do terceiro trimestre deste ano. Apesar do volume de absorção ter sofrido um decréscimo quando comparado com o trimestre anterior, 2008 poderá estabelecer um novo recorde de absorção, caso se confirme a ocupação de 65.000 m² do Office Park Expo.

Para 2009 prevemos uma diminuição do nível de absorção de escritórios, devido não só à falta de nova oferta mas também às previsões económicas que anunciam um ano particularmente difícil para a economia portuguesa. Poderá registar-se alguma retracção por parte das empresas em contratar novos espaços, já que, por receio da crise económica, não deverão ampliar a sua estrutura.

Em consequência, as taxas de disponibilidade podem sofrer um ligeiro decréscimo ou estagnação, com excepção das Zonas Prime e CBD onde a procura suplanta normalmente a oferta de novos produtos.

Entre 2009 e 2010 a construção já será mais especulativa, o que poderá gerar em algumas zonas de mercado, como o Corredor Oeste e Parque das Nações, uma subida das taxas de disponibilidade e uma descida das rendas gerada pelo excesso de oferta. O aparecimento dos Edifícios Báltico, Atlantis, Explore e Expace, irão acrescentar 36.785m² de oferta disponível no Parque das Nações.

As rendas prime atingiram o seu máximo este ano, prevendo-se que em 2009 possam sofrer um decréscimo, em resultado de uma procura mais cautelosa e da falta de projectos de qualidade na zona prime.

Autoria: Mariana Seabra, Jones Lang LaSalle

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